ZP09110509 - 05-11-2009
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Vaticano não exerceu pressão alguma sobre bispo chinês An Shuxin


Para que o prelado se inscrevesse na Associação Patriótica


ROMA, quinta-feira, 5 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Com uma declaração divulgada nesta terça-feira, a Congregação para a Evangelização dos Povos afirmou que não exerceu nenhuma pressão sobre Dom Francisco An Shuxin, o prelado que se inscreveu na Associação Patriótica (AP), para sair da clandestinidade.

Em uma nota, a congregação vaticana, através da agência Fides, deu a conhecer que rejeita “categoricamente (...), como carentes de todo fundamento” as notícias sobre uma carta dirigida ao prelado pela Santa Sé com relação à sua concelebração com um bispo ilegítimo; “atribuem à Congregação para a Evangelização dos Povos o ter autorizado tal concelebração e ter feito pressão para que Dom An saísse da clandestinidade, inscrevendo-se na Associação Patriótica”.

Dom An, bispo coadjutor de Baoding (Hebei), fortaleza da Igreja subterrânea, após 15 anos de prisão forçada e isolamento nas mãos na polícia, decidiu ser reconhecido como bispo oficial.

Por isso, teve de aceitar inscrever-se na AP, o organismo instituído pelo regime maoísta em 1957, com o fim de criar uma igreja nacional independente da Sé Apostólica e anular a presença missionária.

Daí a diferença entre uma Igreja “oficial” ou “patriótica” e os fiéis que querem sair desse controle para obedecer diretamente ao Papa, formando a Igreja “não-oficial” ou “clandestina”.

A AP, que controla as atividades e a fé de cerca de 5 milhões de católicos, atribui a si mesma o direito de nomear os bispos, decide que membros da comunidade católica podem realizar estudos religiosos e quem pode ser ordenado sacerdote, controla a organização dos cursos de catequese e que temas devem ser abordados neles.

Desde a imposição da AP, quem não adere a ela é arrestado, isolado e, em muitos casos, condenado aos campos de “reeducação” e a trabalhos forçados nos laogai.

Em sua carta de 2007 aos católicos chineses, Bento XVI definia a AP e seu ideário como “inconciliável com a doutrina católica”.

Muitos sacerdotes de Baoding, segundo informa AsiaNews, mostraram-se escandalizados pela decisão do bispo: “Durante décadas, a Igreja subterrânea não aceitou acordos com a AP, pagando inclusive com a vida e a prisão sua adesão ao Papa”.

Religiosas chinesas, que vivem perto de Baoding, disseram a AsiaNews que, em sua opinião, a decisão de Dom An se deve ao sentimento de abandono que se respira na Igreja subterrânea, considerada como um obstáculo nas possíveis relações entre a China e o Vaticano.

Um sacerdote clandestino de Zhengding afirmou que, “há vários anos, há dioceses subterrâneas sem bispos. Há décadas, existem bispos na prisão, mas ninguém parece fazer alguma coisa pela sua libertação”.

Atualmente, 3 bispos subterrâneos de Hebei estão desaparecidos nas mãos da polícia. Um deles é o ordinário de Baoding, Dom Jaime Su Zhimin, de 75 anos, preso e desaparecido desde 1996, assim como Cosme Shi Enxiang, diocese de Yixian, de 86 anos, preso e desaparecido desde o dia 13 de abril de 2001; e Dom Julio Jia Zhiguo, diocese de Zhengding, de 74 anos, que desapareceu no dia 30 de março deste ano.

Outro sacerdote indicou que o “esquecimento” da Igreja subterrânea aconteceu ao mesmo tempo em que houve alguns tímidos sinais de diálogo entre o governo chinês e o Vaticano, mas sublinhou os poucos resultados obtidos. “Nestes últimos 2 anos – disse –, não foi possível que o Vaticano ordenasse sequer um bispo oficial, ainda que isso seja necessário.”

Fontes de Baoding dizem que Dom An teria optado por inscrever-se na AP porque esta ameaçou isolá-lo e nomear outro bispo em seu lugar, levando confusão à comunidade subterrânea.

Sua decisão parece, portanto, ter sido ditada pela tentativa de salvar a comunidade e um mínimo trabalho pastoral, ainda que sob o controle da AP.

Também os sacerdotes subterrâneos Pang Guangzhao e Jiang Yanli decidiram inscrever-se na AP, talvez pelos mesmos motivos, e foram libertados imediatamente da prisão. Enquanto isso, outros sacerdotes continuam presos.


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