ZP09110512 - 05-11-2009
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Bispo equatoriano rebate acusações do presidente Correa


Afirma que a Igreja “jamais perdeu” sua consciência social


QUITO, quinta-feira 5 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A Igreja Católica jamais perdeu a perspectiva social de sua tarefa. Foi o que indicou o ex-presidente da Conferência Episcopal equatoriana, Dom Mario Ruiz.

O prelado referiu-se à conferência do presidente equatoriano Rafael Correa, intitulada “Experiência como cristão de esquerda no mundo secular”, de 26 de outubro na Oxford Union Society Hall de Londres.

Correa assegurou que a hierarquia eclesial latino-americana “põe mais ênfase em questões de moral individual e de rito” e assegurou que a Igreja neste continente “não pode ficar indiferente diante das tremendas injustiças sociais na América Latina”.

Frente a estas denúncias, Dom Ruiz assegurou: “é bom que ele veja as paróquias e o trabalho que se realiza nelas”, segundo declarações citadas pelo diário El Universo, de Guayaquil.

O prelado disse que “nem tudo na Igreja Católica anda cem por cento”, mas esclareceu que “concluir que estamos separados da questão social é uma falsidade”.

Durante sua conferência, o primeiro mandatário dos equatorianos assinalou que como católico “esperava ansiosamente” da parte de Bento XVI a publicação de uma encíclica análoga à Rerum Novarum, de Leão XIII, publicada em 1891.

“Gostaria de ver uma encíclica que denunciasse com vigor e de frente, sem eufemismos, a ideologia disfarçada de ciência que nos quis ser imposta como o fim da história”, disse Correa em sua conferência.

Dom Ruiz indicou que dito documento já existe: Caritas in veritate, publicada no dia 7 de julho passado, “mas parece que não foi lida”, disse.

Acrescentou que neste documento o Papa fala à sociedade em seu conjunto: “justiça social sem caridade, sem respeito à pessoa, à verdade ou à liberdade, não é justiça social”, disse.

“A Igreja somos todos e temos de caminhar, mas às vezes nosso povo vai a passos lentos e se alguém toca em temas fortes, alguns o tomam como uma sacudida e questionam para onde se dirige a hierarquia. Temos de ir passo a passo, formando o coração para fortalecer a consciência social”, assinalou Dom Ruiz.


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