ZP09110601 - 06-11-2009
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Vaticano para principiantes


Fórum ajuda a fazer acessível o ensinamento da Igreja


ROMA, quinta-feira, 5 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Como falar a uma pessoa que apoia as uniões homossexuais sobre a dignidade do matrimônio? Ou a um casal sobre o erro da contracepção artificial?

Questões como estas inspiraram o Centro Vaticano de Estudos, um projeto da sede do Colégio Thomas More em New Hampshire.

O centro está “especialmente preocupado por comunicar os ensinamentos da Igreja a um público mais amplo através de fóruns e canais de meios de comunicação”.

E para isso, realiza uma série de conferências chamadas “The Vatican Forum” (“O Fórum Vaticano”), dirigidas a qualquer pessoa que queira aprender mais sobre a Igreja, desde jornalistas até seminaristas em Roma.

O primeiro fórum desde curso acadêmico realizou-se no dia 27 de outubro em Roma. O fundador e editor da revista Inside the Vatican e colunista de ZENIT Robert Moynihan foi convidado a abordar o tema “Desvelando os mistérios do Vaticano”.

Ainda que o Vaticano seja muito mais que um conjunto de edifícios, Moynihan afirmou que sua arte e sua arquitetura representam algo transcendente: “as aspirações e esperanças que temos sobre o sagrado e o divino, as recordações da vida de Jesus”.

As estruturas “chamam sua atenção para cima, em um movimento humano da mente para as coisas mais altas”, destacou Moynihan, assinalando o obelisco egípcio no meio da praça, a basílica inspirada em Roma –e Grécia–, as colunas de Bernini e a cúpula de Michelangelo.

Além de ser um convite a erguer o espírito ao que está acima, são as “aspirações mais altas de arte e arquitetura em um só lugar”, acrescentou.

Residindo o Papa em um local tão significativo, porém as tarefas que vêm com seu cargo são mais altas que os privilégios.

Ele não pode retirar-se nunca, assinalou Moynihan, e sua autoridade não é absoluta. A tradição direciona as ações do Papa e “uma mudança ou modernização” tem de estar em consonância com essa tradição.

Seu principal trabalho, resumiu o especialista, é defender o patrimônio de fé que lhe foi confiado, e explicar este patrimônio através de sua pregação.

Para ajudá-lo nisso, há nove congregações e “alguns conselheiros”, explicou Moynihan.

Ele assinalou que as congregações ajudam o Papa a realizar seu trabalho em relação a questões como a liturgia, a doutrina da Igreja, os bispos e o trabalho missionário da Igreja.

Os Conselhos, que foram estabelecidos depois do Concílio Vaticano II, são mais pastorais, indicou, e se centram em temas como o diálogo, a justiça, a paz e a cultura.

Com esta quantidade de congregações e conselhos, afirmou Moynihan, o Vaticano é “maior que o Vaticano”, já que tem escritórios na Via della Concilizione, na Piazza di Spagna, junto à Piazza Campo dei Fiori. 


O coração do mistério vaticano, no entanto, é sua dupla natureza, que Moynihan caracterizou como uma “dupla hélice”.

Com uma existência tanto religiosa como civil –este é seu próprio estado–, tem de haver confusão, assinalou, mas esta dualidade também lhe dá uma riqueza única.

“Roma é um lugar onde há o dobro de embaixadores que em qualquer outra cidade, porque vêm à Itália para representar seu país, mas também normalmente há um segundo embaixador para representar seu país no Vaticano –Estado da Cidade do Vaticano”, explicou.

“Tudo que tens que fazer é escutar e terás uma ideia do que está passando no Brasil, China, Estados Unidos ou Alemanha.”

Além de ser um centro de informação internacional, afirmou, Roma é também um centro de pensamento filosófico, teológico, político e econômico, como resultado da quantidade de universidades pontifícias que se estabeleceram ali devido à presença do Vaticano e da Santa Sé.

Tentando explicar o trabalho do Vaticano, Moynihan advertiu que às vezes é duro fazer as pessoas entenderem que “há alguma coisa que move essas pessoas a algo que está além das aspirações humanas ordinárias; a motivação fundamental aqui é a da verdade e da proclamação de uma realidade mais elevada”.

Mas tentar entender o Vaticano vala a pena, concluiu Moynihan, porque se entra em contato com “coisas essenciais e por fim se chega à razão da Igreja e do Vaticano, que é Jesus Cristo”.

(Colaborou Mary Woodard)


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