ZP09110605 - 06-11-2009
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Santa Sé estimula nova estratégia energética


O observador vaticano na ONU pede um programa duradouro e global


Por Roberta Sciamplicotti

NOVA YORK, sexta-feira, 6 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A questão relativa à energia, renovável e não-renovável, converteu-se em “uma questão chave para a comunidade internacional” e exige “identificar uma estratégia energética duradoura e global”, disse o observador permanente da Santa Sé na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O arcebispo Celestino Migliore tomou a palavra nesta terça-feira, em Nova York, durante a 64ª sessão da Assembleia Geral da ONU, sobre o ponto “Promoção de fontes de energia novas e renováveis”.

A estratégia à qual o prelado se refere “deveria poder enfrentar as necessidades a curto e longo prazo, assegurando segurança energética, defesa da saúde e do meio ambiente e a instituição de compromissos concretos para enfrentar os problemas da mudança climática”.

A promoção de fontes de energia novas e renováveis, segundo Dom Migliore, além de ser fundamental para esta estratégia, é importante para garantir “um desenvolvimento global e duradouro, capaz de estender-se às diversas áreas do planeta”.

O observador vaticano sublinhou 3 questões importantes, começando por reconhecer que o progresso no setor das energias renováveis é “muito importante para a erradicação da pobreza”.

“Os muitos benefícios da aplicação e da difusão de fontes de energia novas e renováveis podem ser utilizados para o desenvolvimento de objetivos conectados – indicou. De maneira similar, a cooperação energética deveria ser orientada a aliviar a pobreza e ser conciliada com os instrumentos econômicos e fiscais, assim como com a cooperação regional e internacional, a partilha das informações, a transferência de tecnologia e as melhores práticas neste setor.”

O arcebispo afirmou que os países em vias de desenvolvimento têm grande capacidade em matéria de energia renovável, mas estas implicam em gastos iniciais muito altos; por isso, é necessário favorecer “o acesso dos mais pobres a estas inovações”, fundamental para “permitir aos países em vias de desenvolvimento que enfrentem sua crescente demanda de energia e promovam um desenvolvimento sustentável”.

A disponibilidade e o acesso à energia exercem, por outro lado, “um profundo impacto positivo sobre a saúde, a educação, a alimentação e as oportunidades de ingressos”, recordou o prelado, indicando que a melhoria do acesso às fontes energéticas exige, no entanto, “melhores infraestruturas, asseguradas por marcos legais e institucionais adequados”.

A segunda questão suscitada por Dom Migliore se refere a que “cada discussão sobre a identificação de fontes energéticas fiáveis, acessíveis, economicamente praticáveis, socialmente aceitáveis e justas no nível ambiental deveria levar em consideração os custos humanos e ambientais a longo prazo”.

“A exploração ambiental, sem atenção às preocupações a longo prazo, pode proporcionar um crescimento econômico a curto prazo, mas este crescimento custa caro.”

As iniciativas comuns sobre a energia renovável deveriam, além disso, basear-se na “justiça intergeracional”, dado que a tendência de consumo energético de hoje terá um impacto nas gerações futuras.

Para que os programas sobre a energia renovável tenham êxito, é fundamental, finalmente, “uma adequada educação sobre a consciência energética e uma formação permanente” no respeito.

“No desenvolvimento de estratégias e políticas para uma energia nova e renovável, não existe uma fórmula única – comentou. Faz-se necessária uma cooperação pluridimensional, que coloque a gestão humana responsável pela terra no centro dos esforços individuais, nacionais e internacionais, para enfrentar as causas e consequências da mudança climática.”

“Ainda que a questão apresente uma série de desafios científicos e econômicos, através da firmeza dos objetivos e da compaixão pelo próximo, seremos capazes de promover um planeta no qual o desejo de cuidar da terra não seja consequência do medo, e sim sinal de um desenvolvimento pessoal e econômico a longo prazo”, concluiu.


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